DWG e DXF: qual a diferença
O DWG é o formato nativo do AutoCAD: binário, compacto e fechado, com uma estrutura interna que muda de tempos em tempos. O DXF é o formato de intercâmbio que a própria Autodesk documenta para que outros programas leiam e gravem desenhos; pode ser texto ou binário e costuma ser bem maior que o DWG equivalente. Quase todo programa de CAD abre e salva os dois.
Os seis primeiros bytes de um DWG dizem a versão do formato, e é por eles que um visualizador sabe se consegue ler o arquivo:
| Código no arquivo | Versões do AutoCAD que gravam nesse formato |
|---|---|
| AC1012 | R13 |
| AC1014 | R14 |
| AC1015 | 2000 a 2002 |
| AC1018 | 2004 a 2006 |
| AC1021 | 2007 a 2009 |
| AC1024 | 2010 a 2012 |
| AC1027 | 2013 a 2017 |
| AC1032 | 2018 ou mais novo |
Repare que o formato não muda a cada versão do programa: um arquivo salvo nas versões recentes do AutoCAD ainda usa o formato de 2018 (AC1032). Quando um visualizador “não abre DWG novo”, quase sempre o problema é suportar esse último formato.
Como um DWG aparece no navegador
O navegador sabe desenhar linhas, arcos e textos com aceleração gráfica (WebGL), mas não sabe ler DWG. Existem três caminhos comuns:
- Visualizador instalado. Os fabricantes de software de CAD oferecem visualizadores gratuitos para computador. Funcionam bem no escritório, mas não ajudam o mestre de obras no celular.
- Conversão no servidor. O arquivo sobe para um servidor, que lê o DWG com uma biblioteca especializada e entrega ao navegador uma versão em DXF, desenhada na tela com WebGL. É o caminho dos visualizadores on-line, inclusive o do ViggaIA.
- PDF da prancha. Exportar a prancha em PDF garante que todo mundo abra, mas perde as camadas e as medidas reais: vira um desenho chapado.
Antes de subir um projeto para um serviço on-line qualquer, vale lembrar que o desenho sai da empresa e fica no servidor de um terceiro. Para projetos de clientes, o ideal é que o arquivo fique num ambiente com acesso controlado, junto da obra a que pertence.
Como o ViggaIA abre DWG e DXF na obra
No ViggaIA, os projetos ficam na aba Projetos de cada obra, organizados por disciplina (arquitetura, estrutura, elétrica, hidráulica e outros) e por revisão. Os projetos anexados ao orçamento aparecem ali automaticamente quando ele vira obra. Além de DWG e DXF, a aba aceita PDF de prancha.
O tipo do arquivo é reconhecido pelo conteúdo, não pela extensão. O DWG é convertido para DXF no servidor com o LibreDWG, uma biblioteca de código aberto: a leitura é completa do AutoCAD R13 ao 2018 ou mais novo, e as versões anteriores ao R13 abrem em modo experimental. O DXF binário vira texto e a codificação antiga de acentos é corrigida. A conversão acontece uma vez só por arquivo e fica guardada para as próximas aberturas.
No visualizador, dá para:
- dar zoom com a roda do mouse ou com pinça no celular, arrastar e enquadrar o desenho todo;
- ligar e desligar as camadas do desenho;
- medir distâncias e áreas direto na planta, com encaixe nas pontas e no meio das linhas;
- trocar o fundo entre claro e escuro e abrir em tela cheia;
- baixar o arquivo original.
As medidas saem na unidade do desenho, lida do próprio arquivo (a variável $INSUNITS). Se o desenho não informar a unidade, você escolhe entre milímetros, centímetros, metros, polegadas ou pés antes de medir.
Revisões por disciplina: a obra vendo a versão certa
O erro clássico de canteiro é executar pela prancha impressa da revisão anterior. Com os projetos dentro da obra, cada arquivo traz a disciplina, a revisão (R00, R01…), a data de envio e quem enviou, e a lista pode ser filtrada por disciplina. O escritório publica a revisão nova, e quem abre o projeto pelo celular vê a mesma lista que o engenheiro vê no computador.
Uma rotina simples ajuda: ao receber uma revisão, envie o arquivo novo com a revisão marcada, avise a equipe pelas tarefas da obra e recolha as cópias impressas da revisão anterior. O visualizador não substitui o controle de documentos da empresa, mas tira a desculpa do “não sabia que tinha mudado”.
Dos cômodos do DXF para o orçamento
Quando a planta em DXF tem os cômodos desenhados como polilinhas fechadas, com o nome de cada um escrito dentro (sala, cozinha, quarto, banheiro, área de serviço), o ViggaIA lê esses ambientes para a aba Ambientes do orçamento. Dali, cada cômodo gera as quantidades de piso, parede e forro, e o orçamentista não precisa redesenhar a planta numa planilha. É um dos atalhos que a IA usa para montar o orçamento de obra, ao lado da leitura de planta e memorial em PDF.
Para a leitura dar certo, vale combinar com o projetista: uma polilinha fechada por cômodo, de preferência numa camada própria de ambientes, e o nome do cômodo como texto dentro dela.
Dicas para o DWG abrir sem susto
- Incorpore as referências externas. Um DWG que depende de outros arquivos (xref) chega incompleto a qualquer visualizador. Faça o bind antes de enviar.
- Limpe o desenho. Blocos e camadas sem uso, removidos com o purge, deixam o arquivo menor e mais leve no celular.
- Grave a unidade. Com a unidade definida no arquivo, as medidas saem certas sem escolha manual.
- Respeite o tamanho. No ViggaIA, cada arquivo de projeto pode ter até 50 MB; desenhos que, depois de convertidos, passam de 90 MB não abrem no visualizador, para não travar o celular.
- Textos com outra fonte. O visualizador desenha os textos do projeto com uma fonte padrão: posição e conteúdo se mantêm, mas a aparência pode diferir da fonte usada no CAD.
- Se não abrir, exporte. Quando um DWG não converter, salve como DXF ou exporte a prancha em PDF no programa de CAD e envie de novo.
É um recurso do sistema, não um visualizador público
O visualizador de DWG e DXF faz parte do ViggaIA e é usado com login, pelas construtoras clientes, dentro das obras. Não é uma ferramenta pública para subir qualquer arquivo: os projetos ficam guardados por empresa, separados das demais, e o acesso pode exigir login em duas etapas. Planos e mensalidades estão na página do ViggaIA.
Na mesma obra, o encarregado lança o RDO pelo celular, mesmo sem internet, e o escritório acompanha o custo contra o orçamento feito com composições SINAPI e BDI pelo TCU.