O que a IA resolve no orçamento de obra
Quem orça obra conhece o roteiro: abrir um orçamento antigo parecido, copiar a estrutura, levantar quantidades na planta, procurar uma composição para cada serviço, corrigir preços defasados e conferir se o custo por metro quadrado faz sentido. Boa parte dessas horas não exige julgamento de engenharia, exige paciência. É essa parte que a IA consegue acelerar.
O cuidado está em onde ela busca os números. Um assistente genérico, perguntado sobre o custo de uma casa, devolve uma média sem data-base, sem UF e sem padrão de acabamento. No ViggaIA a divisão de trabalho é outra: os valores vêm sempre do banco de dados da construtora (obras anteriores, composições e cotações) e a IA cuida da estrutura, das perguntas e do texto. Quando falta um dado, o sistema avisa em vez de inventar.
Como o ViggaIA monta o orçamento, passo a passo
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Briefing por texto ou por voz
Você descreve a obra do jeito que o cliente contou, digitando ou falando: “casa térrea de médio padrão, 180 m², três quartos sendo uma suíte, em Vila Velha”. O ViggaIA identifica tipo de obra, área, padrão, UF e prazo e pergunta só o que muda o preço, como fundação, cobertura, esquadrias, pavimentos e área externa. Cada pergunta vem com respostas prontas para tocar. Se ninguém sabe ainda, a opção “Não sei — use o padrão” aplica o padrão das obras parecidas, registra a escolha nas premissas e a conversa segue.
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Faixa de custo pela base histórica, corrigida pelo INCC
Assim que existem tipo de obra e área, aparece a estimativa preliminar: a faixa de custo direto por metro quadrado das obras semelhantes da própria empresa, com 1º quartil, mediana e 3º quartil do orçado e, quando houver, do realizado. Os valores antigos são trazidos para hoje pelo INCC, mês a mês. O critério começa estreito (mesmo tipo, padrão e UF); com menos de três obras assim, ele se abre para tipo e padrão e, depois, só para o tipo, e a tela diz qual critério foi usado.
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Leitura da planta e do memorial em PDF
Anexe a planta baixa e o memorial descritivo em PDF. A IA lê ambientes, áreas e esquadrias e transforma isso em quantidades: piso por cômodo, perímetro para parede e rodapé, contagem de portas e janelas. Se o projeto estiver em DXF, os cômodos desenhados como polilinhas fechadas também podem ir direto para a aba Ambientes do orçamento, como explicamos em como visualizar DWG e DXF online.
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EAP sob medida, com memória de cálculo
A estrutura analítica sai conforme o tipo de obra: um galpão ganha piso industrial, fechamento lateral e cobertura metálica; uma casa ganha fundação, alvenaria, instalações e acabamentos por ambiente. Cada item traz a memória de cálculo da quantidade, para quem revisa conferir de onde veio cada número sem refazer a conta.
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Preço pelas composições da empresa
Cada serviço é casado com uma composição do catálogo da construtora, própria ou de referência (SINAPI, SUDECAP ou SEINFRA). Quando a composição é equivalente e não idêntica, a adaptação fica anotada no item. Sem composição, entra o preço histórico da empresa corrigido pelo INCC. O que não tem nem uma coisa nem outra fica marcado como “sem preço na base — revisar”, em vez de receber um valor inventado.
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Versão que cabe no bolso
Quando o cliente tem um teto de investimento, o ViggaIA gera uma segunda versão que cabe nesse valor, mantendo o que foi pedido (área, ambientes e escopo principal) e ajustando especificações. Você compara as duas e decide o que apresentar.
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Revisão na planilha
O resultado abre na planilha do orçamento, com cara de Excel e cronograma gerado pela produtividade das composições. Ali o orçamentista ajusta o que quiser e pode pedir ao copiloto uma auditoria de preços, uma análise de risco e de margem, sugestões de engenharia de valor ou a checagem de etapas que faltaram na EAP. O BDI sai pelo assistente das faixas do TCU; para entender a conta, veja como calcular o BDI de obra pelo Acórdão TCU 2622/2013.
Os rascunhos ficam salvos no servidor: dá para parar uma conversa e retomar depois, em outro aparelho. E a geração do orçamento continua mesmo se a internet do escritório cair no meio.
De onde vem cada número
Para o orçamento ser defensável diante do cliente ou de uma auditoria, cada valor precisa ter origem conhecida. Esta é a regra do ViggaIA:
| Informação | De onde vem |
|---|---|
| Faixa de custo por m² | Obras anteriores da construtora (orçado × realizado), corrigidas pelo INCC |
| Quantidades | Conversa, planta e memorial em PDF e ambientes do DXF, com memória de cálculo em cada item |
| Preço unitário | Composições próprias e de referência; na falta delas, preço histórico corrigido |
| Preço de insumo cotado | Cotação do fornecedor aplicada ao item, com a origem registrada |
| BDI e encargos sociais | Parâmetros da empresa e assistente pelas faixas do Acórdão TCU 2622/2013 |
| Índices e preços de mercado | Busca na web feita pelo assistente “Pergunte ao ViggaIA”, sempre com a fonte |
Toda edição feita depois fica no histórico do orçamento, com quem mudou, quando, o valor anterior e o novo, e pode ser desfeita.
Limites honestos: o que a IA não faz
IA no orçamento acelera, mas não assina a obra. Antes de adotar qualquer ferramenta, vale saber o que ela não faz:
- A IA sugere, o orçamentista decide. Quantidades, composições e preços chegam prontos para revisão, não para envio direto. A responsabilidade técnica continua de quem assina o orçamento.
- Base pequena dá faixa larga. Com poucas obras parecidas importadas, a estimativa preliminar usa um critério mais amplo e fica menos precisa. A faixa melhora conforme a construtora alimenta a base com orçado e realizado.
- O PDF precisa ser legível. Planta com cotas e nomes de ambientes legíveis rende quantidades melhores. Tudo o que a IA extrair deve ser conferido contra o projeto.
- Sem preço não vira preço. Serviço sem composição e sem histórico fica sinalizado. Preencher esses itens é trabalho do orçamentista, com cotação ou composição nova.
- A IA tem custo por uso. A conta é da construtora, contratada direto no provedor (OpenAI por padrão, ou Anthropic, Google e xAI) e cobrada pelo consumo: centavos de dólar por orçamento gerado, conforme a medição de custo real publicada na página do ViggaIA. Sem chave de IA configurada, o sistema segue funcionando com um motor local, de sugestões mais simples.
Para quem faz sentido
O ganho é maior em construtoras que repetem tipologias (casas, prédios residenciais, lojas, galpões e reformas) e já têm orçamentos antigos guardados em planilhas. Na implantação, a Spartan TI importa esses orçamentos com o orçado e o realizado, mesmo fora de um modelo fixo, e é essa base que alimenta a faixa de custo e os preços históricos.
Para obras maiores, com equipes alocadas mês a mês, o mesmo orçamento pode ser montado por equipes (mão de obra direta e indireta, equipamentos e mobilização), com encargos e BDI detalhados, como mostramos em software de orçamento de obras com SINAPI. Para conferir parâmetros à mão, há a calculadora de BDI e a calculadora de encargos sociais.
Depois de aprovado pelo cliente, o orçamento vira obra sem redigitação: etapas, cronograma e custo previsto passam para a gestão, e o encarregado lança o andamento pelo celular, mesmo sem internet no canteiro.