O que um sistema de orçamento SINAPI precisa fazer
Consultar o código de uma composição no relatório da CAIXA é a parte fácil. O trabalho está em manter coerentes, ao mesmo tempo, a UF e a data-base da tabela, o regime de encargos (desonerado ou não), as composições próprias que a empresa criou ao longo dos anos, o BDI, o cronograma e a planilha que vai para o cliente ou para a licitação. Na planilha de Excel, cada uma dessas peças vive numa aba ou num arquivo diferente, e um ajuste em uma não chega às outras.
Um software de orçamento de obras serve para amarrar essas peças. A seguir, o que o ViggaIA faz em cada uma delas, sem promessas que o sistema não cumpre.
Composições próprias e de referência na mesma planilha
Cada composição tem a fonte marcada (Própria, SINAPI, SUDECAP ou SEINFRA) e guarda dois valores: o desonerado e o não desonerado. A planilha usa o valor do regime escolhido no orçamento. As tabelas de referência da UF e da data-base que a construtora usa entram na implantação, ao lado das composições próprias; a base que acompanha um sistema novo é só de demonstração.
- Busca de composição pela descrição do serviço: a IA procura nas próprias e nas de referência, mostra a aderência de cada candidata e explica a recomendada
- Planilha com cara de Excel: colar linhas, atalhos de teclado e fórmulas no campo de quantidade
- Edição em lote: reajuste, troca de composição, mover e duplicar itens
- Levantamento por ambientes: os cômodos geram as quantidades de piso, parede e forro
- Preço de cotação do fornecedor aplicado ao item, com a origem registrada
- Histórico de cada edição, com quem mudou, o valor anterior, restaurar e desfazer
Encargo desonerado ou não desonerado
O regime de encargos é escolhido em cada orçamento. Sem desoneração, o INSS patronal de 20% entra inteiro nos encargos sociais da mão de obra. Com desoneração, parte dele sai da folha e a empresa recolhe a CPRB sobre a receita bruta, que vai para a parcela de tributos do BDI. Em 2026, pela transição da Lei 14.973/2024, quem optou pela CPRB paga 60% da alíquota (2,7% na construção civil) mais 10% de INSS sobre a folha; em 2028 a desoneração acaba.
A tabela de encargos sociais é da empresa e fica em Configurações, nos parâmetros de orçamento: grupos A a D, em quatro colunas (horista e mensalista, com e sem desoneração), com o grupo D calculado sozinho a partir dos outros. Dá para carregar os percentuais da SINAPI vigente na sua UF ou os que a contabilidade informar. Os orçamentos já gravados guardam o percentual da época e só mudam se o usuário pedir.
Para conferir a conta à mão, use a calculadora de encargos sociais ou veja o passo a passo, com a tabela SINAPI de 2026, em encargos sociais na construção civil.
BDI pelo Acórdão TCU 2622/2013
O assistente de BDI parte das faixas do acórdão (1º quartil, média ou 3º quartil), considera o regime tributário (Lucro Presumido, Lucro Real ou Simples Nacional), o ISS do município e, na desoneração, a CPRB da empresa. A fórmula fica à vista, ao lado do resultado:
BDI = [(1 + AC + S + R + G) × (1 + DF) × (1 + L) ÷ (1 − T)] − 1
Quando a obra tem fornecimento relevante de materiais ou equipamentos, liga-se o BDI diferenciado: um BDI reduzido, também pelas faixas do TCU para fornecimento, aplicado automaticamente por tipo de custo (equipamentos, materiais, serviços de terceiros ou outros) ou escolhido linha a linha e etapa a etapa. O preço de venda de cada linha fica custo × (1 + BDI do tipo) × (1 − desconto).
Se quiser simular antes, a calculadora de BDI faz a mesma conta, e o artigo como calcular o BDI de obra pelo Acórdão TCU 2622/2013 traz as faixas por tipo de obra e um exemplo numérico completo.
Curva ABC, cronograma e versões
Com a planilha precificada, a curva ABC mostra os poucos itens que concentram a maior parte do custo: é ali que vale negociar ou cotar de novo. O cronograma sai automático pela produtividade das composições e vira um Gantt interativo, em que dá para arrastar barras, ligar dependências com o mouse, considerar feriados, guardar linhas de base e ver o caminho crítico. Versões do orçamento podem ser comparadas lado a lado, e os modelos de orçamento e o checklist antes do envio ajudam a não esquecer nada.
Orçamento por equipes para obras maiores
Em obras industriais, de infraestrutura ou de prazo longo, orçar mão de obra só por composição esconde o que mais pesa: a equipe alocada mês a mês. No orçamento por equipes, cada função tem custo mensal e custo-hora calculados (salário, adicionais, horas extras, encargos, benefícios, EPI, exames, treinamentos e ferramentas). A mão de obra direta (MOD) e a indireta (MOI) são alocadas por mês ou por semana, os equipamentos por período, e a mobilização e a desmobilização saem calculadas pelo efetivo. A IA pode sugerir a equipe como ponto de partida.
O resumo traz média, pico, homens-mês, horas-homem e custo por função, com histogramas de mão de obra e de equipamentos. Tudo é lançado automaticamente na planilha do orçamento, junto com os serviços orçados por composição.
Exportação para Excel com fórmulas
Cliente e licitação costumam pedir planilha. O ViggaIA exporta o orçamento sintético e o analítico e, no formato completo, um Excel com as abas PQ, CPU, MOD, MOI, MOB-DESMOB, equipamentos, encargos, resumo de mão de obra e BDI ligadas por fórmulas: quem recebe consegue auditar a conta, não só ler o total.
No caminho inverso, planilhas antigas entram pela importação, inclusive fora de um modelo fixo: a IA detecta colunas, hierarquia e unidades, casa cada item com uma composição e marca os de baixa confiança para revisão. É assim que orçamentos de anos anteriores viram base histórica para a IA estimar o custo das próximas obras.
Planilha de Excel × sistema de orçamento
Excel é flexível, todo mundo sabe usar e não custa nada a mais. O problema aparece quando a construtora cresce: várias pessoas, vários orçamentos e nenhum histórico confiável. Uma comparação direta:
| Tema | Planilha de Excel | ViggaIA |
|---|---|---|
| Composições | Copiadas de arquivo em arquivo, com atualização manual em cada cópia | Catálogo único, próprio e de referência, usado por todos os orçamentos |
| Desonerado × não desonerado | Duas planilhas ou colunas paralelas | Escolha por orçamento; cada composição guarda os dois valores |
| BDI | Fórmula montada à mão, sujeita a erro de referência de célula | Assistente pelas faixas do TCU, fórmula à vista e BDI diferenciado |
| Quem mudou o quê | Sem rastro; versões “final-v3-revisado.xlsx” | Histórico de cada edição com usuário, valor anterior e desfazer |
| Cronograma | Outro arquivo ou outro programa | Gantt gerado da produtividade, com caminho crítico |
| Base histórica | Orçamentos espalhados em pastas | Orçado × realizado corrigido pelo INCC, com custo por m² por tipologia |
| Aprovação do cliente | E-mail com anexo e respostas soltas | Link para aprovar ou recusar item a item, com o motivo |
| Entrega em Excel | Nativa | Exportação sintética, analítica e completa com fórmulas |
Se a empresa faz poucos orçamentos por mês, uma planilha bem organizada pode bastar. Quando o volume sobe, ou quando o mesmo orçamento passa por várias mãos, o custo de não ter rastro aparece em erros que só se descobrem na obra. E, depois de aprovado, o orçamento do ViggaIA vira obra sem redigitação, com o encarregado lançando o RDO no celular mesmo sem internet e a equipe consultando os projetos em DWG direto no navegador.