Como achar palavras-chave sem ferramenta paga

Toda empresa que resolve aparecer no Google escuta a mesma frase: "primeiro você precisa fazer uma pesquisa de palavras-chave". E logo depois escuta a segunda: "a assinatura da ferramenta custa algumas centenas de reais por mês". Para quem tem orçamento de agência, isso é detalhe. Para quem toca uma empresa pequena e cuida do site nas horas vagas, é o motivo pelo qual o projeto nunca sai do papel.
A boa notícia é que o dado mais valioso dessa pesquisa não está em ferramenta paga nenhuma: está no comportamento de quem já procura o que você vende. O próprio Google, o Search Console da sua conta e as perguntas que chegam no seu WhatsApp entregam material suficiente para montar uma lista de termos melhor do que a de muitos concorrentes que pagam assinatura e não usam. Neste artigo você vai ver o método completo, do zero à planilha, com o cuidado que ninguém conta: a parte mais importante não é descobrir palavras, é decidir quais delas valem uma página.
O que é uma palavra-chave, na prática
Palavra-chave é simplesmente o que a pessoa digita (ou fala) na busca. Raramente é uma palavra só. "Encanador" é palavra-chave; "encanador 24 horas em Vila Velha" também é, e essa segunda vale muito mais para um encanador de Vila Velha, porque quem digita isso está com vazamento em casa agora.
Pesquisar palavras-chave é, no fundo, fazer duas perguntas: com que palavras o meu cliente descreve o problema dele? e que tipo de página ele espera encontrar quando digita aquilo? A primeira é vocabulário. A segunda é intenção — e é onde quase todo site amador erra. Se você ainda está entendendo o básico de como o Google escolhe o que mostrar, vale ler antes como aparecer no Google; aqui vamos direto ao trabalho de levantar e organizar os termos.
As quatro intenções de busca
Antes de sair caçando termos, grave estes quatro tipos. Eles decidem o formato do que você vai escrever.
Informacional
A pessoa quer aprender algo. "Como", "o que é", "por que", "para que serve", "quanto tempo dura". Quem busca assim não está pronto para comprar, mas está começando o caminho. Responder bem aqui coloca a sua marca na cabeça da pessoa antes de o concorrente aparecer. É a intenção natural do blog.
Comercial
A pessoa já quer resolver e está comparando caminhos. "Melhor", "vale a pena", "x ou y", "qual escolher", "diferença entre". Aqui entram comparativos, guias de escolha e artigos de decisão. É a intenção com melhor relação entre esforço e retorno para empresa pequena, porque o público está perto da compra e a concorrência é menor do que na palavra genérica.
Transacional
A pessoa quer contratar ou comprar, e normalmente diz onde. "Contratar", "preço", "orçamento", "perto de mim", nome da cidade ou do bairro. Essas buscas não pedem artigo: pedem uma página de serviço clara, com o que você faz, para quem, e um botão de contato que funcione de verdade — assunto do nosso texto sobre formulário de contato que funciona.
Navegacional
A pessoa já sabe para onde quer ir e usa a busca como atalho: digita o nome da sua empresa, ou o nome mais "segunda via", "telefone", "endereço". Parece óbvio, mas muita empresa perde essa busca para um perfil de rede social desatualizado ou para um agregador de endereços, simplesmente por não ter página própria bem identificada.
O erro clássico é escrever um artigo longo e didático para um termo transacional. Quem digita "limpeza de ar-condicionado em Vitória" não quer aula de manutenção: quer um telefone. E o contrário também acontece — tentar vender no meio de um texto que a pessoa abriu para aprender a desentupir uma pia. Casar intenção e formato é metade do resultado de SEO.
Sete fontes gratuitas de palavras-chave
1. As sugestões do próprio Google
Comece a digitar o seu serviço na busca e não aperte Enter. A lista que aparece embaixo é formada por buscas reais e frequentes. Vá variando: digite o termo seguido de cada letra do alfabeto, depois com "como", "quanto", "qual", "onde", "preço de", "perto de mim". Em meia hora você junta dezenas de termos que gente de verdade digitou.
2. "As pessoas também perguntam"
Faça a busca e procure o bloco com perguntas sanfonadas no meio dos resultados. Cada pergunta aberta carrega outras. Esse bloco é uma mina para seções de perguntas frequentes e para subtítulos de artigo: são as dúvidas reais, com as palavras reais.
3. Buscas relacionadas
Role até o fim da página de resultados. Ali o Google mostra variações do que você pesquisou, muitas vezes com sinônimos regionais que você jamais usaria — e que o seu cliente usa.
4. O Search Console da sua conta
Essa é a melhor fonte de todas, e muita gente nem sabe que tem. O Google Search Console é gratuito e mostra, no relatório de desempenho, exatamente que termos levaram pessoas até o seu site, quantas vezes você apareceu e em que posição média. Procure consultas onde você aparece na segunda página: são termos que o Google já associa a você e que precisam só de um empurrão. Se nunca configurou, siga o nosso Search Console para leigos.
5. As perguntas que chegam no WhatsApp
Abra as conversas do último mês e leia as primeiras mensagens dos clientes. Elas são a sua pesquisa de palavras-chave, de graça, com a vantagem de vir do público que já compra de você. Anote as frases como a pessoa escreveu, com o erro de digitação e o jeito torto de dizer. É assim que ela vai digitar no Google também. Nosso texto sobre WhatsApp Business para empresas mostra como organizar essas conversas para não perder esse material.
6. Os concorrentes
Olhe os sites que aparecem acima do seu. Leia os títulos das páginas, o menu, os nomes dos serviços. Você não vai copiar texto — vai notar que eles chamam de "manutenção preventiva" o que você chama de "revisão", e que o mercado busca pelo primeiro nome. Também vale abrir o endereço do concorrente seguido de /sitemap.xml: muitas vezes a lista completa de páginas dele aparece ali.
7. Fóruns, grupos e comentários
Grupos de Facebook da sua cidade, Reddit, perguntas em marketplaces, comentários em vídeos do YouTube sobre o seu assunto. É onde as pessoas descrevem o problema sem filtro, antes de saber o nome técnico dele.
Regra do método gratuito: você não vai ter volume exato de buscas, e isso importa menos do que parece. Um termo que aparece nas sugestões do Google, no bloco de perguntas e em três conversas de WhatsApp tem demanda suficiente para justificar uma página — não precisa de número para confirmar.
Cauda longa: onde a empresa pequena ganha
Cauda longa é o apelido dos termos específicos, de três palavras ou mais, com menos buscas cada um. "Ar-condicionado" é cabeça; "limpeza de ar-condicionado split 12000 btus preço" é cauda longa. Individualmente, cada termo de cauda longa traz pouca gente. Somados, costumam formar a maior parte do tráfego de um site pequeno.
Há três razões para começar por eles:
- Concorrência: brigar pela palavra genérica é brigar com marketplace, portal e rede nacional. A cauda longa quase sempre está livre.
- Intenção clara: quanto mais palavras a pessoa digita, mais ela já sabe o que quer. Converte melhor.
- Facilidade de escrever: é muito mais fácil fazer o melhor conteúdo da internet sobre uma dúvida específica do que sobre um tema inteiro.
Termo mais cidade
Se você atende uma região, a combinação serviço mais lugar é o atalho mais direto para contato. "Contador em Vila Velha", "serralheria em Cariacica", "dentista na Praia do Canto". Três cuidados:
- Faça uma página por cidade ou bairro de verdade — com texto próprio, referências locais, casos e informações que só servem para aquele lugar. Trinta páginas idênticas trocando o nome da cidade é o padrão que o Google aprendeu a ignorar.
- Comece pelos lugares onde você realmente trabalha e tem história para contar. Duas páginas boas rendem mais que vinte vazias.
- Mantenha nome, endereço e telefone iguais no site, no perfil do Google e nas redes.
Volume ou chance real de ranquear
Sem ferramenta paga você não tem o número de buscas, então o critério passa a ser outro: eu consigo ser a melhor resposta para isso? Avalie cada termo por quatro perguntas simples.
| Pergunta | Por que importa | Sinal de que é um bom termo |
|---|---|---|
| Quem está na primeira página hoje? | Mostra o tamanho da briga | Aparecem sites pequenos, fóruns ou páginas antigas |
| Eu tenho mais experiência que eles no assunto? | Conteúdo bom nasce de quem faz | Você responde isso todo dia no trabalho |
| Quem busca isso pode comprar de mim? | Tráfego fora da sua região não paga conta | O termo tem cidade, serviço ou produto que você entrega |
| Que página isso exige? | Evita escrever o formato errado | Você sabe se é artigo, comparativo ou página de serviço |
Na prática, prefira sempre o termo em que você tem chance real. Primeira posição em uma busca pequena traz mais cliente que décima posição em uma busca grande — e a décima posição, sinceramente, não traz ninguém. Quem quer entender por que uma página boa demora a subir encontra o diagnóstico em por que meu site não aparece no Google.
Como organizar numa planilha
Qualquer planilha gratuita serve. Crie uma linha por termo e estas colunas:
- Termo — escrito como a pessoa digita, em minúsculas;
- Intenção — informacional, comercial, transacional ou navegacional;
- Grupo — o assunto maior a que ele pertence (é o que vai virar uma página);
- Página de destino — qual endereço do site responde (ou "criar");
- Posição hoje — se já aparece, segundo o Search Console;
- Prioridade — alta, média ou baixa, pelas quatro perguntas da tabela;
- Status — a fazer, escrito, publicado, revisar.
Depois ordene por grupo. Vai ficar claro que vinte termos diferentes são, na verdade, cinco assuntos. Cada grupo recebe uma página, não vinte. O termo mais representativo do grupo entra no título e no endereço; os outros aparecem naturalmente nos subtítulos, na lista de perguntas frequentes e no corpo do texto.
De planilha a páginas
Os grupos transacionais viram páginas de serviço, linkadas no menu. Os comerciais viram comparativos e guias. Os informacionais viram artigos de blog, cada um linkando para a página de serviço correspondente — é esse encadeamento que transforma leitor em contato, assunto que detalhamos em 7 elementos de um site que converte. Se ainda está decidindo se mantém blog, veja blog para empresa vale a pena. E, qualquer que seja a página, o texto precisa soar como gente falando: é o que mostramos em como escrever os textos do seu site.
Canibalização: o erro que anula o trabalho
Canibalização é quando duas ou mais páginas do seu site tentam ranquear para a mesma palavra. O Google não sabe qual é a boa, divide os sinais entre elas e muitas vezes escolhe a pior — ou nenhuma. É o problema mais comum em site de empresa que começou a publicar sem planejamento: três artigos sobre o mesmo tema com títulos ligeiramente diferentes.
Como detectar
Busque no Google por site:seudominio.com.br seguido do termo. Se aparecerem várias páginas suas candidatas à mesma busca, você tem canibalização. No Search Console, o sinal é a mesma consulta trazendo cliques para endereços diferentes, ou uma página que oscila de posição sem motivo.
Como resolver
- Junte: escolha a página mais forte, traga para ela o que havia de bom nas outras e redirecione as antigas para ela;
- Diferencie: se os conteúdos têm valor próprio, mude o foco de cada um para intenções distintas e ajuste títulos;
- Aponte: faça as páginas secundárias linkarem para a principal com o texto âncora do termo que importa.
E previna: antes de escrever qualquer coisa nova, procure na sua planilha se o termo já tem página de destino. Se tiver, melhore a página existente em vez de criar outra. Reescrever um artigo antigo com informação nova costuma render mais que publicar um artigo a mais.
Uma palavra-chave por página, uma página por palavra-chave principal. Essa única regra evita a maior parte dos problemas de SEO de site pequeno — e não custa nada.
Um plano de 30 dias
- Semana 1: configure o Search Console e colete termos nas sete fontes. Meta: cem linhas na planilha, sem filtrar nada.
- Semana 2: classifique intenção, agrupe por assunto e marque prioridade. Cem linhas devem virar dez a quinze grupos.
- Semana 3: arrume o que já existe. Revise títulos e descrições das páginas atuais, resolva canibalizações e melhore as páginas que já aparecem na segunda página de resultados. É a etapa de maior retorno e quase ninguém faz.
- Semana 4: escreva as duas páginas novas de maior prioridade. Depois siga em ritmo sustentável, duas por mês, revisando a planilha a cada trimestre com dados novos do Search Console.
Uma observação sobre 2026: boa parte das respostas hoje é lida dentro de resumos de inteligência artificial, e não na lista azul de links. Isso muda menos do que parece no trabalho de palavras-chave — continua valendo responder a pergunta real, com clareza e informação verificável —, mas muda o formato do texto. Escrever respostas diretas em blocos curtos aumenta a chance de ser a fonte citada, como explicamos em como aparecer no ChatGPT e nas IAs.
Se depois desse levantamento você perceber que o site atual não tem onde encaixar as páginas que a planilha pediu, o problema deixou de ser SEO e passou a ser estrutura. Vale ver exemplos no nosso portfólio, conferir dúvidas comuns no FAQ ou falar com a gente sobre o que faz sentido para o seu caso. A Spartan TI é do Espírito Santo e atende empresas de todo o Brasil, com site entregue em poucos dias úteis e manutenção mensal inclusa — mas o método deste artigo funciona igual se você mesmo for fazer tudo.
Perguntas frequentes
Preciso mesmo de ferramenta paga para fazer SEO?
Não para começar. Ferramentas pagas economizam tempo e dão volume estimado de buscas, o que ajuda quem publica em escala. Para uma empresa com até algumas dezenas de páginas, as sugestões do Google, o bloco de perguntas e o Search Console entregam material de sobra. Vale assinar quando a limitação passar a ser análise, e não falta de ideias.
Quantas palavras-chave devo colocar em uma página?
Uma principal, que define o título e o endereço, mais as variações naturais do mesmo assunto ao longo do texto. Não existe número mágico de repetições: repetir a palavra de forma forçada atrapalha a leitura e não melhora a posição. Escreva para a pessoa e cubra as perguntas relacionadas ao tema.
Quanto tempo leva para um termo começar a ranquear?
Depende da concorrência e da idade do site. Termos de cauda longa em site já indexado podem aparecer em algumas semanas; termos disputados levam meses e exigem que o site todo ganhe autoridade. Por isso o plano começa pela cauda longa: ela dá sinal de progresso enquanto o resto amadurece.
Vale usar o nome da cidade em todas as páginas?
Só onde faz sentido para quem lê. A cidade pertence às páginas de serviço e à página de contato, onde a pessoa quer saber se você atende a região dela. Repetir o nome da cidade em artigo informacional soa artificial e não ajuda. Melhor é manter dados de contato consistentes e ter o perfil do Google atualizado.
Como sei se tenho canibalização sem ferramenta?
Busque no Google por site: seguido do seu domínio e do termo em questão. Se mais de uma página sua disputar a mesma busca, há canibalização. Confirme no Search Console vendo se a mesma consulta aparece distribuída entre endereços diferentes.
Posso usar inteligência artificial para gerar a lista de termos?
Como ponto de partida, sim: ela ajuda a imaginar variações e agrupar assuntos. Mas ela não sabe o que as pessoas da sua cidade realmente digitam, e pode sugerir termos que ninguém busca. Trate a lista gerada como hipótese e valide cada item nas sugestões do Google e no seu Search Console antes de escrever.


